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Ritmo de contágio do coronavírus no Brasil está igual ao registrado na Itália no inicio do contagio



Estudo conduzido por sete Universidades, mostram que hoje no brasil o contágio do coronavírus é igual o da Itália no inicio da contaminação no pais a semanas atrás, e está ganhando velocidade a cada momento. Segundo o estudo até a próxima terça(24) o numero de casos devem passar de 3 mil.


Estimativa de crescimento da Covid-19 no Brasil — Foto: Eduardo Pierre/G1

“Nossos cálculos corroboram a ideia que o início da curva epidêmica brasileira é igual às da Itália e da Espanha — quando estes países estavam no início”, afirmou ao G1 o professor Roberto Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

Acima no gráfico é possível ver as projeções da Unesp. Para sábado (21), a estimativa é de 1.091 casos; para domingo (22), 1.478; segunda (23), 2.003; e terça, 2.714 (24). Há um intervalo para cada dia, com mínimas e máximas, que prevê até 3,4 mil casos na terça. No mundo todo segundo levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins, há ao menos 10.031 mortos pelo Covid-19, dentre os 245 mil infectados.

Participante do Observatório Covid-19 BR, Kraenkel esta entre os que estudam os números da pandemia no país. O grupo de pesquisadores reúne professores da Unesp, Unicamp, Usp, UnB e UFABC, além da universidade Berley e (EUA) Oldenburg (Alemanha).

Um dos cálculos feitos é o do tempo de duplicação de infectados.

“Uma forma de acompanhar a epidemia é seguir o tempo de duplicação dia a dia. Se as ações de contenção surtirem efeito, vamos observar o tempo de duplicação aumentar. Esta é uma forma de saber se estamos conseguindo ‘domar’ o coronavírus”, detalhou Kraenkel.

O estudo mostra que a cada 54 horas e 43 minutos, o numero de pessoas contaminadas dobra. Esse tempo, com os dados do Ministério da Saúde de quinta, está em 2,28 dias e caindo.

Quanto mais baixo for esse tempo, mais rápida corre a pandemia no país.


Tempo de duplicação do Covid-19 no Brasil — Foto: Eduardo Pierre/G1

“Se tenho, digamos, 10 casos, quanto tempo leva para ter 20, depois 40 e 80?”, explicou o professor.

Um fator que interfere nesse cálculo é o número de testes feitos. Na Itália, por exemplo, até o dia 9, 60 mil pacientes foram testados -- ou mil kits a cada milhão de habitantes. Na Coreia do Sul, foram quatro vezes mais.

O ministério da Saúde informou ao portal de noticiais da Globo G1 que, na rede pública, foram feitos 13 mil testes ou 62 para cada milhão de brasileiros. Não há estatísticas para a rede particular.

No próximo gráfico é possível ver a evolução do tempo de duplicação em outros países. Quanto mais baixa a linha, mais rápido o coronavírus está agindo.


Tempo de duplicação em outros países — Foto: Eduardo Pierre/G1

“Bem no início da epidemia na Itália, o tempo estava perto de 1,8 dia. Hoje está ao redor de 4 dias”, disse Kraenkel.

O Brasil aparece somente no dia 14, quando havia 121 casos, número a partir do qual é possível fazer os cálculos.

O tempo de duplicação se reflete na “curva” de casos, que as autoridades tanto querem “achatar”.


Gráfico elaborado pelo cientista Drew Harris e adaptado pelo biólogo Carl Bergstrom mostra como medidas de prevenção podem retardar o contágio da Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde — Foto: Carl Bergstrom e Esther Kim/CC BY 2.0

No gráfico a cima mostra duas possibilidades de avanço de uma doença — uma tem um crescimento abrupto, acima da capacidade de absorção do sistema de saúde, e outra mais suave, distribuída por mais dias.

Autoridades de Saúde de todo o Brasil intensificaram nas últimas semanas os pedidos para que a população fique em casa. O isolamento social é defendido como o meio mais eficaz para “achatar a curva” da epidemia.


Fonte: Portal G1